domingo, 28 de abril de 2013

Estupidez – Por que as pessoas fazem coisas idiotas

Complexo Dmc :



Estupidez – Por que as pessoas fazem coisas idiotas

Mesmo quem tem QI altíssimo está sujeito a atitudes irracionais. Cientistas começam a entender o que há por trás das decisões estúpidas que deram na crise financeira e por que a evolução não transformou todos em gênios

por Texto: Sally Adee, da New Scientist e Tiago Mali | ilustrações: Nik Neves

Editora Globo
Gustave Flaubert escreveu que “a terra tem seus limites, mas a estupidez humana é infinita”. Suas muitas cartas a Louise Colet, a poetisa francesa que inspirou o romance Madame Bovary, estão cheias de afrontas e xingamentos dirigidos a seus colegas mais insensatos. Flaubert via a burrice em tudo, desde as fofoqueiras da classe média às palestras dos acadêmicos. Nem Voltaire escapou de seu olhar crítico. Consumido por essa obsessão, Flaubert dedicou seus últimos anos a reunir milhares de exemplos para uma espécie de enciclopédia da burrice. Ele morreu antes de completar sua obra-prima, e alguns biógrafos atribuem sua morte súbita, aos 59 anos, à frustração causada pela pesquisa para o livro.

Documentar a extensão da estupidez parece uma missão impossível, mas estudos recentes sobre o tema levantam perguntas intrigantes. Se a inteligência é uma vantagem tão grande, por que não somos todos uniformemente inteligentes? E por que até as pessoas mais inteligentes cometem idiotices? Acontece que nossas medidas tradicionais de inteligência, especialmente o QI, não têm muito a ver com os comportamentos irracionais e ilógicos que irritavam Flaubert. Você pode ser, ao mesmo tempo, altamente inteligente e muito estúpido.
ENTREVISTA: Pesquisador explica como empresas podem nos tornar estúpidos

A ideia de inteligência e burrice como extremos opostos de um único espectro é moderna. Na Renascença, o teólogo Erasmo de Roterdã elogiou a Loucura como uma entidade descendente do deus da riqueza e da ninfa da juventude; outros autores a viam como uma combinação de vaidade, teimosia e imitação. Foi apenas em meados do século 18 que a estupidez começou a ser identificada com a inteligência medíocre, diz Matthijs van Boxsel, historiador holandês que escreveu sete livros sobre o tema. “Nessa época, a burguesia subiu ao poder e, com o Iluminismo, a razão se tornou a nova regra”, explica.
POR QUE A BURRICE EVOLUIU 
As tentativas modernas de estudar a variação nas habilidades humanas de cognição concentraram-se nos testes de QI, que dão uma nota à capacidade mental de um indivíduo. Até um terço dessa variação no índice é causada pelo ambiente em que crescemos: nutrição e educação, por exemplo. Os genes contribuem com mais de 40% das diferenças entre dois indivíduos.

Essas diferenças podem se manifestar no modo como nosso cérebro está estruturado. Cérebros inteligentes possuem redes de conexões mais eficientes entre os neurônios. Isso pode determinar a capacidade de usar a “memória de trabalho”, aquela de curto prazo, para relacionar ideias díspares e acessar rapidamente estratégias de solução de problemas, explica Jennie Ferrell, psicóloga da Universidade do Oeste da Inglaterra, em Bristol. “Essas ligações neurais são a base para a realização de conexões mentais eficientes.”

A grande variação no QI levou alguns pesquisadores a questionarem um possível efeito negativo da capacidade cerebral superior. Se a inteligência não tivesse custo nenhum, por que a evolução não transformou todos nós em gênios? Infelizmente, as evidências nessa área são escassas. Alguns autores propõem que a depressão pode ser mais comum entre indivíduos mais inteligentes, o que levaria a índices de suicídio mais elevados, mas nenhum estudo revelou achados que apoiem essa tese.

As diferenças na inteligência também podem ter se originado de um processo chamado “deriva genética”, depois que a civilização superou os desafios que motivaram a evolução de nossos cérebros. Gerald Crabtree, pesquisador da Universidade de Stanford, é um dos principais defensores dessa ideia. Ele lembra que nossa inteligência depende de cerca de 2 mil a 5 mil genes em mutação constante. No passado distante, pessoas cujas mutações atrasavam seu intelecto não teriam sobrevivido para passar seus genes adiante, mas Crabtree sugere que, à medida que as sociedades se tornaram mais colaborativas, os indivíduos com raciocínio mais lento aproveitaram o sucesso dos mais espertos. Na verdade, ele diz que um viajante do tempo do ano 1.000 a.C. que chegasse à sociedade moderna estaria “entre os indivíduos mais inteligentes e intelectualmente ativos”.

A teoria costuma ser chamada de hipótese da “idiocracia”, em homenagem ao filme de mesmo nome, que imagina um futuro no qual a rede de segurança social criou um deserto intelectual. Apesar de ter seus defensores, as evidências em prol dela são fracas. É difícil estimar a inteligência de nossos antepassados distantes, e o QI médio aumentou um pouco no passado recente. “Isso desmente o medo de que pessoas menos inteligentes têm mais filhos e, logo, a inteligência vai diminuir”, afirma o psicólogo Alan Baddeley, da Universidade de York.
Editora Globo

CULTURA IRRACIONAL 
Novas descobertas estão levando muitos pesquisadores a sugerir que o pensamento humano tem mais dimensões do que as medidas pelos testes de QI, o que pode forçar uma revisão radical no tema. Críticos sempre disseram que o QI é facilmente afetado por fatores como dislexia, educação e cultura. “Eu provavelmente iria muito mal em um teste de inteligência elaborado por um índio Sioux do século 18”, afirma o psicólogo Richard Nisbett, da Universidade de Michigan, nos EUA. Sabemos que pessoas com pontuações baixas, chegando a um mínimo de 80, conseguem falar múltiplos idiomas e que QI alto não é garantia de racionalidade: pense nos físicos brilhantes que insistem que a mudança climática é uma farsa.

“Existem pessoas inteligentes que são estúpidas”, diz Dylan Evans, psicólogo e escritor que estuda as emoções e a inteligência. O que explica esse aparente paradoxo? Uma das teorias vem de Daniel Kahneman, cientista cognitivo da Universidade de Princeton que recebeu o Prêmio Nobel em Economia por suas pesquisas sobre o comportamento humano. Os economistas costumavam presumir que as pessoas são inerentemente racionais, mas Kahneman e seu colega Amos Tversky descobriram que não é bem assim. Eles demonstraram que quando processamos informações, nossos cérebros podem acessar dois sistemas diferentes. Os testes de QI mensuram apenas um: o processamento que é crucial para a solução de problemas no consciente. Mas no cotidiano, nosso modo-padrão é utilizar o sistema mais intuitivo.

Os mecanismos intuitivos nos deram uma vantagem evolucionária, pois oferecem atalhos que ajudam a lidar com a sobrecarga de informações. Eles incluem usar estereótipos, viés de confirmação e a tentação de aceitar a primeira solução para um problema mesmo que obviamente não seja a melhor (confira isso no teste do quadro à direita).

Esses vieses produzidos pela evolução ajudam nosso raciocínio em certas situações, mas também podem atrapalhar decisões quando usados sem um olhar crítico. Assim, a incapacidade de reconhecer ou resistir a eles é um elemento fundamental da estupidez. “O cérebro não tem um interruptor que diz ‘vou usar estereótipos para definir restaurantes, não para pessoas’”, explica Ferrell. “É preciso treiná-lo.”

Como a estupidez tem zero relação com o QI, entendê-la de verdade requer um novo teste para examinar nossa susceptibilidade a vieses. É o que propõe Keith Stanovich, cientista cognitivo da Universidade de Toronto, no Canadá, no seu Quociente de Racionalidade (QR — saiba mais no primeiro quadro desta reportagem). O QR servirá para avaliar nossa capacidade de reconhecer os vieses cognitivos.
Editora Globo
Mas o que determina se você tem ou não um QR naturalmente alto? Stanovich descobriu que o QR não se resume aos genes ou fatores ambientais durante a infância. Depende da metacognição, a capacidade de determinar a validade de seu próprio conhecimento. Pessoas com QR alto desenvolveram essa consciência em algum momento. Um jeito simples de treinar isso é pegar a resposta intuitiva a um problema e considerar seu lado oposto antes de decidir. Exercícios como os do quadro da página anterior também ajudam. Mas mesmo quem tem um QR naturalmente alto não está a salvo da estupidez. “Você pode ter habilidades cognitivas excelentes, mas é o ambiente que determina como deve agir”, explica Ferrell.

Distrações emocionais podem ser a maior causa desse tipo de estupidez. Sentimentos como luto ou ansiedade ocupam a memória de trabalho, fazendo com que sobrem menos recursos cerebrais para avaliar o mundo ao seu redor. Para lidar com a dificuldade, você pode acabar recorrendo a atalhos. Ambientes coorporativos, principalmente de empresas que lidam com conhecimento, estão entre os que mais estimulam a estupidez, explica o professor da Cass Business School Andre Spicer na entrevista ao lado. Para ele, funcionários brilhantes de bancos e consultorias foram vítimas de um tipo de estupidez organizacional que ajudou a provocar a crise financeira.

Isso pode explicar por que, de acordo com Stanovich, o setor financeiro implora por um bom teste de racionalidade “há anos”. Por ora, o incipiente teste de QR não oferece um escore definitivo, é preciso comparar um grande número de voluntários antes que seja possível desenvolver uma escala para avaliar diferentes grupos. Stanovich começou a desenvolver o teste em janeiro. Se alguém vai terminar o que Flaubert começou é outra questão. Van Boxsel vai se aposentar depois do sétimo livro sobre o tema. Mas a Biblioteca do Congresso dos EUA, talvez por acidente, assumiu a tarefa: decidiu arquivar todos os tweets do mundo. 

Postado Por: Daniel Mathias Chagas 11:36

Estupidez – Por que as pessoas fazem coisas idiotas

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Mesmo quem tem QI altíssimo está sujeito a atitudes irracionais. Cientistas começam a entender o que há por trás das decisões estúpidas que deram na crise financeira e por que a evolução não transformou todos em gênios

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Gustave Flaubert escreveu que “a terra tem seus limites, mas a estupidez humana é infinita”. Suas muitas cartas a Louise Colet, a poetisa francesa que inspirou o romance Madame Bovary, estão cheias de afrontas e xingamentos dirigidos a seus colegas mais insensatos. Flaubert via a burrice em tudo, desde as fofoqueiras da classe média às palestras dos acadêmicos. Nem Voltaire escapou de seu olhar crítico. Consumido por essa obsessão, Flaubert dedicou seus últimos anos a reunir milhares de exemplos para uma espécie de enciclopédia da burrice. Ele morreu antes de completar sua obra-prima, e alguns biógrafos atribuem sua morte súbita, aos 59 anos, à frustração causada pela pesquisa para o livro. 


Documentar a extensão da estupidez parece uma missão impossível, mas estudos recentes sobre o tema levantam perguntas intrigantes. Se a inteligência é uma vantagem tão grande, por que não somos todos uniformemente inteligentes? E por que até as pessoas mais inteligentes cometem idiotices? Acontece que nossas medidas tradicionais de inteligência, especialmente o QI, não têm muito a ver com os comportamentos irracionais e ilógicos que irritavam Flaubert. Você pode ser, ao mesmo tempo, altamente inteligente e muito estúpido.



A ideia de inteligência e burrice como extremos opostos de um único espectro é moderna. Na Renascença, o teólogo Erasmo de Roterdã elogiou a Loucura como uma entidade descendente do deus da riqueza e da ninfa da juventude; outros autores a viam como uma combinação de vaidade, teimosia e imitação. Foi apenas em meados do século 18 que a estupidez começou a ser identificada com a inteligência medíocre, diz Matthijs van Boxsel, historiador holandês que escreveu sete livros sobre o tema. “Nessa época, a burguesia subiu ao poder e, com o Iluminismo, a razão se tornou a nova regra”, explica. 


POR QUE A BURRICE EVOLUIU 
As tentativas modernas de estudar a variação nas habilidades humanas de cognição concentraram-se nos testes de QI, que dão uma nota à capacidade mental de um indivíduo. Até um terço dessa variação no índice é causada pelo ambiente em que crescemos: nutrição e educação, por exemplo. Os genes contribuem com mais de 40% das diferenças entre dois indivíduos. 


Essas diferenças podem se manifestar no modo como nosso cérebro está estruturado. Cérebros inteligentes possuem redes de conexões mais eficientes entre os neurônios. Isso pode determinar a capacidade de usar a “memória de trabalho”, aquela de curto prazo, para relacionar ideias díspares e acessar rapidamente estratégias de solução de problemas, explica Jennie Ferrell, psicóloga da Universidade do Oeste da Inglaterra, em Bristol. “Essas ligações neurais são a base para a realização de conexões mentais eficientes.” 

A grande variação no QI levou alguns pesquisadores a questionarem um possível efeito negativo da capacidade cerebral superior. Se a inteligência não tivesse custo nenhum, por que a evolução não transformou todos nós em gênios? Infelizmente, as evidências nessa área são escassas. Alguns autores propõem que a depressão pode ser mais comum entre indivíduos mais inteligentes, o que levaria a índices de suicídio mais elevados, mas nenhum estudo revelou achados que apoiem essa tese. 

As diferenças na inteligência também podem ter se originado de um processo chamado “deriva genética”, depois que a civilização superou os desafios que motivaram a evolução de nossos cérebros. Gerald Crabtree, pesquisador da Universidade de Stanford, é um dos principais defensores dessa ideia. Ele lembra que nossa inteligência depende de cerca de 2 mil a 5 mil genes em mutação constante. No passado distante, pessoas cujas mutações atrasavam seu intelecto não teriam sobrevivido para passar seus genes adiante, mas Crabtree sugere que, à medida que as sociedades se tornaram mais colaborativas, os indivíduos com raciocínio mais lento aproveitaram o sucesso dos mais espertos. Na verdade, ele diz que um viajante do tempo do ano 1.000 a.C. que chegasse à sociedade moderna estaria “entre os indivíduos mais inteligentes e intelectualmente ativos”. 

A teoria costuma ser chamada de hipótese da “idiocracia”, em homenagem ao filme de mesmo nome, que imagina um futuro no qual a rede de segurança social criou um deserto intelectual. Apesar de ter seus defensores, as evidências em prol dela são fracas. É difícil estimar a inteligência de nossos antepassados distantes, e o QI médio aumentou um pouco no passado recente. “Isso desmente o medo de que pessoas menos inteligentes têm mais filhos e, logo, a inteligência vai diminuir”, afirma o psicólogo Alan Baddeley, da Universidade de York. 


Editora Globo

CULTURA IRRACIONAL 
Novas descobertas estão levando muitos pesquisadores a sugerir que o pensamento humano tem mais dimensões do que as medidas pelos testes de QI, o que pode forçar uma revisão radical no tema. Críticos sempre disseram que o QI é facilmente afetado por fatores como dislexia, educação e cultura. “Eu provavelmente iria muito mal em um teste de inteligência elaborado por um índio Sioux do século 18”, afirma o psicólogo Richard Nisbett, da Universidade de Michigan, nos EUA. Sabemos que pessoas com pontuações baixas, chegando a um mínimo de 80, conseguem falar múltiplos idiomas e que QI alto não é garantia de racionalidade: pense nos físicos brilhantes que insistem que a mudança climática é uma farsa. 


“Existem pessoas inteligentes que são estúpidas”, diz Dylan Evans, psicólogo e escritor que estuda as emoções e a inteligência. O que explica esse aparente paradoxo? Uma das teorias vem de Daniel Kahneman, cientista cognitivo da Universidade de Princeton que recebeu o Prêmio Nobel em Economia por suas pesquisas sobre o comportamento humano. Os economistas costumavam presumir que as pessoas são inerentemente racionais, mas Kahneman e seu colega Amos Tversky descobriram que não é bem assim. Eles demonstraram que quando processamos informações, nossos cérebros podem acessar dois sistemas diferentes. Os testes de QI mensuram apenas um: o processamento que é crucial para a solução de problemas no consciente. Mas no cotidiano, nosso modo-padrão é utilizar o sistema mais intuitivo. 

Os mecanismos intuitivos nos deram uma vantagem evolucionária, pois oferecem atalhos que ajudam a lidar com a sobrecarga de informações. Eles incluem usar estereótipos, viés de confirmação e a tentação de aceitar a primeira solução para um problema mesmo que obviamente não seja a melhor (confira isso no teste do quadro à direita). 

Esses vieses produzidos pela evolução ajudam nosso raciocínio em certas situações, mas também podem atrapalhar decisões quando usados sem um olhar crítico. Assim, a incapacidade de reconhecer ou resistir a eles é um elemento fundamental da estupidez. “O cérebro não tem um interruptor que diz ‘vou usar estereótipos para definir restaurantes, não para pessoas’”, explica Ferrell. “É preciso treiná-lo.” 

Como a estupidez tem zero relação com o QI, entendê-la de verdade requer um novo teste para examinar nossa susceptibilidade a vieses. É o que propõe Keith Stanovich, cientista cognitivo da Universidade de Toronto, no Canadá, no seu Quociente de Racionalidade (QR — saiba mais no primeiro quadro desta reportagem). O QR servirá para avaliar nossa capacidade de reconhecer os vieses cognitivos. 


Editora Globo
Mas o que determina se você tem ou não um QR naturalmente alto? Stanovich descobriu que o QR não se resume aos genes ou fatores ambientais durante a infância. Depende da metacognição, a capacidade de determinar a validade de seu próprio conhecimento. Pessoas com QR alto desenvolveram essa consciência em algum momento. Um jeito simples de treinar isso é pegar a resposta intuitiva a um problema e considerar seu lado oposto antes de decidir. Exercícios como os do quadro da página anterior também ajudam. Mas mesmo quem tem um QR naturalmente alto não está a salvo da estupidez. “Você pode ter habilidades cognitivas excelentes, mas é o ambiente que determina como deve agir”, explica Ferrell. 


Distrações emocionais podem ser a maior causa desse tipo de estupidez. Sentimentos como luto ou ansiedade ocupam a memória de trabalho, fazendo com que sobrem menos recursos cerebrais para avaliar o mundo ao seu redor. Para lidar com a dificuldade, você pode acabar recorrendo a atalhos. Ambientes coorporativos, principalmente de empresas que lidam com conhecimento, estão entre os que mais estimulam a estupidez, explica o professor da Cass Business School Andre Spicer na entrevista ao lado. Para ele, funcionários brilhantes de bancos e consultorias foram vítimas de um tipo de estupidez organizacional que ajudou a provocar a crise financeira. 

Isso pode explicar por que, de acordo com Stanovich, o setor financeiro implora por um bom teste de racionalidade “há anos”. Por ora, o incipiente teste de QR não oferece um escore definitivo, é preciso comparar um grande número de voluntários antes que seja possível desenvolver uma escala para avaliar diferentes grupos. Stanovich começou a desenvolver o teste em janeiro. Se alguém vai terminar o que Flaubert começou é outra questão. Van Boxsel vai se aposentar depois do sétimo livro sobre o tema. Mas a Biblioteca do Congresso dos EUA, talvez por acidente, assumiu a tarefa: decidiu arquivar todos os tweets do mundo. 

Fonte: Revista Galileu. 

Postado Por: Daniel Mathias Chagas 11:35

A gente não quer só comida

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Contra o excesso de industrialização dos alimentos, consumidores ativistas arrendam terras, compram sementes e viram sócios de agricultores. Conheça o progressismo culinário

Editora Globo
Se todo comportamento social hegemônico dá origem a uma contracultura, com a alimentação não seria diferente. Excesso de industrialização, monocultura e logística que não privilegia produção local acabaram por incentivar uma antítese desse sistema de produção. Grupos de consumidores do Brasil e do mundo começam a se aproximar dos produtores, chegando a comprar sementes e virar sócio das fazendas para colher comida cultivada de maneira mais sustentável, sem agrotóxicos e com comercialização mais justa. “O ativismo nessa área tem ganhado corpo há 20 anos, mas nunca foi tão presente”, afirma Eric Holt Gimenez, diretor do Food First, instituto nos EUA para desenvolvimento de políticas alimentares.
>> Confira o manual completo do Instituto Kairós para organizar um grupo de consumo responsável de alimentos
O tom transgressor desse movimento fica claro no apelido que ele ganhou da revista Time: progressismo culinário. “Têm-se construído diversas práticas para mitigar o dano permanente causado pelo regime alimentar corporativo, baseado na produção em massa e na industrialização”, diz Gimenez. Um dos principais meios de ação desses ativistas é a criação de grupos que buscam parcerias com produtores locais dispostos a oferecer alimentos sem o intermédio de supermercados ou distribuidores. Isso encurta o caminho do produto (economizando viagens de caminhão para centros de distribuição e reduzindo até a poluição causada por elas) e estreita o laço com as famílias que trabalham na terra. “O alimento é muito importante para estar nas mãos de apenas algumas corporações”, defende Harriet Lamb, da The Fairtrade Foundation, entidade que luta por melhores políticas sociais e econômicas de consumo no mundo. Esses grupos, que despontaram no final da década de 90 nos EUA e em 2001 na França, polinizaram terras do mundo todo, inclusive do Brasil.
CONSUMIDORES, UNI-VOS 
Quando chegou ao país, há três anos, o alemão Hermann Pohlmann plantou a ideia de fazer aqui algo que já desenvolvia com amigos em sua terra natal. Ele passou a reunir pessoas em um grupo de CSA (sigla em inglês para agricultura sustentada pela comunidade). “Era um conceito totalmente novo no Brasil. Tive dificuldade para convencer os produtores de que seria viável.”

Os CSAs costumam funcionar assim: o produtor oferece ações de sua fazenda e os consumidores tornam-se sócios-investidores, dividindo os custos (como sementes, terra, material para plantio etc.), e tendo direito a parte dos alimentos produzidos ali. O agricultor tem dinheiro antecipado para sua produção, e os consumidores, alimento de qualidade garantido.

Em Botucatu (SP), cidade já tradicional no cultivo de orgânicos, Pohlmann fundou o primeiro CSA do Brasil. Hoje são 145 participantes que vivem na região ou na capital paulista e pagam uma taxa mensal de R$ 150 a R$ 170 para ter direito a uma cota semanal de 1 litro de leite, 1 queijo e 200 gramas de manteiga, além de verduras, legumes e hortaliças. “Uma família com dois filhos pode comprar três cotas para suprir sua alimentação”, diz Pohlmann. Os produtos são retirados toda semana em um ponto comercial da cidade.

O grupo de CSA responde por cerca de 20% da renda das três famílias de agricultores envolvidas no projeto — os 80% restantes são conseguidos em feiras de orgânicos. “Mas a ideia é que consigam se sustentar somente a partir do grupo. Isso será possível quando atingirmos 400 integrantes”, diz Pohlmann. Desde o surgimento do CSA de Botucatu, outros foram criados em Campinas (SP), Nova Friburgo (RJ), Maria da Fé (MG) e Parelheiros, bairro da capital paulista, mostrando que a ideia tende a se espalhar por aqui.
Os coletivos de consumo já são um fenômeno mundial. Na França, há 1.600 deles, sob a sigla Amap (Associações para a Preservação da Agricultura Camponesa). Eles entregam regularmente 66 mil caixas de alimentos para cerca de 270 mil associados. Ao aderir a uma Amap, os compradores lidam diretamente com os produtores, pagando meses antes da colheita pelas frutas e hortaliças.

Nos EUA, o modelo vai além. Em alguns casos, famílias criam um fundo para arrendar uma propriedade a longo prazo, de forma que os próprios filhos dos produtores possam perpetuar o trabalho iniciado pelos pais. Em outros, pessoas se reúnem em projetos de financiamento coletivo para incentivar a produção artesanal de comida.

Foi o que aconteceu com o agricultor Gudelio García em Nova York. Em 2010, ele criou uma pequena fazenda para cultivar ervas, temperos e vegetais da culinária mexicana. A demanda foi tanta que a produção se tornou insuficiente. Os consumidores fiéis colocaram, em julho de 2012, um projeto no Kickstarter — maior site de financiamento coletivo no mundo — para permitir que ele aumentasse a fazenda. Em menos de um mês, US$ 5 mil foram rateados pelos compradores, que criaram, então, um grupo para adquirir produtos diretamente da fazenda. “Em 10 anos, a quantidade de coletivos assim deve dobrar”, diz Pohlmann.
Editora Globo
DIRETO DA HORTA: Pohlmann montou o primeiro grupo de consumidores sócios de agricultores no Brasil. Alimentos frescos garantidos

FORA, INTERMEDIÁRIOS! 
Tornar-se corresponsável pela produção de alimentos é um nível elevado do progressismo culinário. Mas existem outras maneiras de se envolver na causa. Tendência nos EUA, França, Alemanha e Austrália, nos Grupos de Consumo Responsável (GCR) as pessoas não arrendam a terra dos pequenos agricultores, mas se reúnem para firmar uma parceria comercial e controlar de onde vem a comida. A compra é feita coletivamente, possibilitando aos produtores vender um volume maior enquanto os compradores têm garantida a procedência do alimento. “Os participantes se propõem a transformar o consumo de alimentos em um ato político”, diz Thaís Mascarenhas, economista do Instituto Kairós, ONG voltada para a promoção e difusão do comércio justo. Segundo a organização, no Brasil, já são mais de 20 coletivos desse tipo.

Criada em 2001, a Rede Ecológica, do Rio de Janeiro, é pioneira entre os GCRs no Brasil. “Queríamos sair da posição passiva de ir a um supermercado e só poder comprar o que está nas gôndolas, sem saber de onde vêm os alimentos”, afirma Miriam Langenbach, uma das integrantes do grupo. O trabalho começou com o mapeamento dos produtores locais: foi preciso levantar quem eram as famílias de agricultores no entorno e elencar o que cada uma produzia. “É bater na porta do produtor, conhecer seu espaço, ser apresentado para sua família”, diz. Depois foi preciso divulgar a proposta para mais interessados para formar uma rede de consumo que compensasse para o agricultor.

Hoje, a relação direta entre os 170 associados que compram regularmente de cerca de 90 agricultores permitiu desenvolver a produção do entorno da capital fluminense, em cidades como Seropédica, Brejal, Tinguá, Teresópolis e Rio da Prata. Além disso, deu a chance de que pequenos produtores e cooperativas de outros estados, como Mato Grosso e Acre, fornecessem alimentos que não são cultivados no Rio (como castanhas, palmito e pequi).

Atualmente, os integrantes do grupo pagam R$ 30 para ter direito a aquisições mensais de alimentos e R$ 60 para semanais. Esse dinheiro ajuda a manter a rede funcionando — é preciso pagar despesas como aluguel do espaço para distribuição dos produtos, além do transporte da propriedade rural até a cidade. A exclusividade é garantida. Só quem faz parte da rede tem direito a comprar os alimentos, num máximo de R$ 440 por mês, valor que vai diretamente para o produtor.

Como em outros grupos do tipo, os alimentos precisam ser retirados em um local preestabelecido. A comodidade de recebê-los em casa foi dispensada para que as pessoas sejam mais ativas no negócio. “Cada um deve se comprometer a participar de atividades 10 horas por ano”, afirma Miriam. Entre os afazeres, estão organizar a bancada de alimentos, conferir e atualizar as planilhas de vendas e valores de produtos. “Por ser uma proposta coletiva e autos-sustentável, é imprescindível que todo mundo faça a coisa acontecer.”

Em Piracicaba (SP), a Rede Guandu também promove a comercialização de produtos da agricultura familiar. “A ideia era revalorizar o conceito de local e fomentar a economia dos agricultores da região fazendo mais do que ir à feira”, afirma Andre Toshio, um dos fundadores da iniciativa. “O principal é criar uma interdependência entre consumidores e produtores, fazendo com que um necessite do outro, não apenas economicamente.”

No início, a rede contava com cinco integrantes, amigos na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, que se juntaram para comprar de produtores que já conheciam, por causa da faculdade. Conforme a coisa cresceu, passaram a ter dificuldade em gerenciar os pedidos, até então feitos por e-mail.

Em parceria com o Centro de Informática da Esalq, arrecadaram, por meio de financiamento público, R$ 28 mil para desenvolver um software para gestão de pedidos. Com o programa, ampliaram o grupo para os 40 consumidores semanais que têm hoje. “O software é específico para os GCRs e a ideia é torná-lo livre para que coletivos no país inteiro possam se organizar e até se formar de maneira mais organizada”, conta Toshio.
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MÃOS À TERRA: Miriam é uma das 170 associadas da Rede Ecológica, do Rio, que recebe alimentos direto dos produtores

POR UM NOVO CONSUMO 
Com sua propagação, o progressismo culinário deve recriar a maneira como lidamos com nossa comida. “Se não conseguimos comprar aquilo que queremos, é preciso inventar novas formas de produzir, comercializar e consumir”, diz o chef José Barattino, de São Paulo, que busca ter produtores familiares entre seus fornecedores. “Precisamos de uma reviravolta.”

Pohlmann acredita que essa mudança poderá transbordar de nossos pratos. “No futuro, poderemos ter um médico sustentado por um grupo de 50, 60 pessoas. Com o valor que ganha por mês desses pacientes, teria independência financeira e motivação para cuidar bem de nossa saúde.”

Seja no universo dos garfos e facas ou dos bisturis, cresce a busca por maneiras mais pessoais de consumir. “Estamos ficando cansados de nos relacionar só com prateleiras”, diz Toshio. “Queremos restabelecer a relação com as pessoas”, afirma. A solução pode passar por algo tão simples como pegar um punhado de cenouras ou tomates até mesmo do quintal do vizinho.



TODOS POR UM 
Como organizar um grupo de consumo responsável 
DEFINA OS PRODUTOS > Para listar o que será comprado veja quais são os itens produzidos localmente. Os sites do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (fbes.org.br) e Faces do Brasil (facesdobrasil.org.br) ajudam na busca de agricultores familiares.

DIVERSIFIQUE > Um grupo consolidado conta com mais de 10 produtores. Isso aumenta a variedade de itens e ajuda a garantir o abastecimento.

ORGANIZE A LOGÍSTICA > Produtos frescos devem ser entregues toda semana enquanto os não perecíveis podem ter prazos mais extensos. Para reduzir custos, um motorista contratado pode passar nas hortas e trazer os produtos a um local fixo: pode ser um colégio ou um centro cultural, por exemplo.

CRIE UMA BOA GESTÃO > É preciso organização para receber o dinheiro, pagar os produtores, controlar os pedidos etc. Defina cargos e responsabilidades para os próprios membros. Será preciso que todos dediquem algumas horas mensais ao trabalho. 
Fonte: Revista Galileu 

Postado Por: Daniel Mathias Chagas 11:35

Teste com vacina para AIDS não funciona e governo dos EUA para estudo

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Voluntários contaminados por HIV não reagiram ao vírus e os que não tinham o vírus foram infectados

por Rafael Spoladore

O estudo chamado HVTN 505 começou em 2009 e reuniu 2504 voluntários de 19 cidades americanas, a maioria de homens gays. O objetivo era testar uma vacina que funcionaria como prevenção para quem ainda não estivesse contaminado ou que pudesse ajudar o sistema imunológico a combater o HIV entre os já contaminados. Metade dos participantes recebeu a vacina e a outra metade um placebo.

Ao revisarem recentemente os resultados da pesquisa, os cientistas descobriram que boa parte dos participantes que não estavam infectados contraiu a doença, o que mostra que a vacina não teve eficácia. Isso obrigou o governo dos EUA, dono da instituição de pesquisa, a parar o estudo.

Ainda não se sabe o motivo da contaminação, mas acredita-se que não tenha sido por causa da vacina, mas sim pelo comportamento de risco dos vacinados. Apesar de terem sido instruídos a, mesmo com a vacina, usar camisinha e não praticar sexo inseguro, os participantes continuaram livres para tomar suas próprias decisões.

O voluntário Josh Robbins, de 30 anos, da cidade de Nashville, Tennessee, foi um dos que contraiu AIDS. Ele disse estar feliz pelo acompanhamento médico que teve desde o início, o que auxilia no combate ao vírus, e por estar ajudando a ciência. "Temos que seguir em frente. O estudo certamente pode nos levar para uma nova direção que encontre algo que pode funcionar", ele disse.

O diretor Anthony Fauci, do National Institutes of Health, que conduziu a pesquisa, está desapontado. Mas ele ressalta que, sem esse estudo, não haveria tanta informação importante disponível e que pode ser determinante para a próxima tentativa de uma vacina contra o HIV.

Várias tentativas de se criar uma vacina contra a AIDS falharam nos últimos anos. Estudos recentes demonstram que uma melhor estratégia pode ser a de criar anticorpos mais poderosos do que os que o sistema imunológico consegue produzir e que poderiam se adiantar a rápida evolução do vírus dentro do corpo humano.
Fonte: Galileu

Postado Por: Daniel Mathias Chagas 11:35

Câncer corre risco de virar epidemia na América Latina

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Crédito: Shutterstock
Durante a conferência LACOG 2013, da Lancet Oncology Comission, em São Paulo, foi apresentado um relatório montado por oncologistas sobre a ocorrência do câncer na América Latina, que já atinge níveis epidêmicos. Os números, segundo os especialistas, devem aumentar nas próximas décadas: mais pessoas terão mais de 60 anos e a doença aparece mais frequentemente em idosos.
Ao mesmo tempo, para controlar a situação futura, todo o sistema de prevenção e tratamento de câncer do continente precisa passar por mudanças. Um indicativo disso foi apresentado pelo oncologista da Harvard Medical School, Paul Gross: nos EUA, há um maior número de diagnósticos de câncer. Mas na América do Sul, a taxa de mortalidade é 60% maior, mesmo com um menor número de doentes. Um dos motivos é a dificuldade em se obter um diagnóstico nos estágios iniciais do câncer.
Outra diferença é a verba gasta pelo governo no tratamento de cada doente. Nos EUA e no Japão, por exemplo, uma média de 500 dólares é gasto por paciente. Na América Latina, o valor cai para 8 dólares. O dinheiro gasto mundialmente em tratamento contra o câncer contabiliza 286 bilhões de dólares anuais e apenas 6,2% dessa verba é gasta em países em desenvolvimento – mesmo que o total de novos diagnósticos seja maior neles.

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Por hábitos culturais que incluem o tabaco e pela dificuldade de acesso a cuidados médicos, povos indígenas, que contabilizam 10% da população da América do Sul, são uma das maiores preocupações do relatório montado por oncologistas // Crédito: GETTY
O cenário pode parecer difícil de imaginar para quem vive em uma grande metrópole, mas o relatório leva em consideração populações rurais e indígenas, que teriam mais dificuldade em ter contato com instituições de saúde. Um dos dados levantados no Brasil mostra que enquanto no Sudeste há 210 médicos para cada 100 mil pessoas, o número cai para 60 em se tratando da Região Norte. A proposta é que pólos dessas regiões carentes sejam identificados e que médicos recebam incentivos acadêmicos para atuar nessas áreas.
Outra ideia é o investimento na prevenção do câncer, não apenas em seu diagnóstico e tratamento. Entre os fatores de risco a serem evitados estão a obesidade – estima-se que em 2030, 50% dos homens e 60% das mulheres da América do Sul serão obesos – , o uso de tabaco (que, por questões culturais, também é frequente na população indígena e rural da América do Sul) e fatores ambientais, como exposição à fumaça. 

Postado Por: Daniel Mathias Chagas 11:30

POSSIBILIDADE DE GUERRA ENTRE AS COREIAS É REAL, DIZ ESPECIALISTA

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 O líder norte-coreano, Kim Jong-un, reunido com militares de seu país (Foto: Agência EFE)
Foi durante a cerimônia da morte de seu pai, Kim Jon-il, que Kim Jong-Un foi proclamado o novo “líder supremo” da Coreia do Norte. Na época, se sabia muito pouco sobre ele. E até hoje é assim. Sem ter nenhuma experiência militar ou política, o novo ditador assumiu o lugar de seu pai em dezembro de 2011. Hoje, aos 30 anos, faz ameaças sérias à vizinha Coreia do Sul, aos Estados Unidos e ao Japão. O que assusta, neste momento, é que a Coreia do Norte é um dos poucos países do mundo com tecnologia nuclear. Mas quais são as chances de uma guerra atômica realmente acontecer?
Para Heni Ozi Cukier, cientista político e mestre em resolução de conflitos internacionais, as possibilidades são reais. “As duas Coreias possuem o metro quadrado mais militarizado do mundo e são dois países com forças mobilizadas para a guerra”, diz ele. O especialista lembra: a guerra entre elas terminou, em 1953, com um armistício e não com um acordo de paz. “A máquina da guerra está pronta para entrar em ação e isso é frágil. Qualquer ataque, mesmo que muito pequeno, pode criar um conflito de grandes proporções. A escalada de violência pode ser muito rápida”. 
O regime de Kim Jong-un aconselhou funcionários de embaixadas estrangeiras em Pyongyang a abandonarem o país antes do dia 10  (Foto: Agência EFE)Até agora, a maior parte das nações do mundo não tem levado muito a sério as constantes ameaças de Kim Jong-Un . Nesta quinta-feira (11/04), os chanceleres dos países membros do G8 (grupo que reúne as oito nações mais desenvolvidas do mundo) pediram à Coreia do Norte que “evite mais atos provocativos”. No dia anterior, um pedido parecido foi feito pela União Europeia, quando o bloco econômico anunciou que manteria seus diplomatas no país, apesar da crescente tensão militar na região e de o prazo determinado por Kim Jong-Un ter vencido naquela data. No anúncio, a UE disse para a capital norte-coreana, Pyongyang, que "evitasse mais declarações ou ações provocativas".
Apesar dos alertas, Jong-Un, não deve parar com as provocações. Pelo menos não tão cedo. Segundo Cukier, elas fazem parte da estratégia do ditador para proteger seu regime. “Ele quer aumentar suas credenciais para fortalecer sua capacidade de dissuasão, desencorajando o inimigo. Ele sabe perderia uma guerra, que seria suicídio. Ele não é um líder irracional”.
Fronteira da Coreia do Sul com a Coreia do Norte (Foto: Agência EFE)
No final de março, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou uma resolução que exigia que a Coreia do Norte interrompesse seu programa nuclear. Esta foi a quinta sanção imposta pela ONU ao país desde 2006. Desde então, o regime do ditador sofre cada vez mais ameaças. “É um pais fraco liderada por um regime ditatorial. Essa elite que está no poder quer sobreviver”, diz o especialista.
E é por meio de notícias sobre treinamento de cães, posicionamento de mísseis e fotos de seu exército em ação que a Coreia do Norte acredita que conseguirá amedrontar seus inimigos o suficiente para que não pensem em atacá-lo. De acordo com Cukier, no entanto, é preciso destacar que a mensagem do ditador não é a de que ganharia uma possível guerra. “O exército dele não tem força o suficiente para enfrentar a Coreia do Sul e os EUA. E Jong-Un sabe disso. O recado que ele está passando é o de que: ‘se eu afundar, eu afundo alguém junto comigo’. Principalmente porque, querendo ou não, ele tem poder nuclear”, diz Cukier.
No entanto, como o método é antigo, o Jong-Un precisa, de alguma maneira, ir mais longe toda vez que volta a fazer ameaças. “Ele está acrescentando pequenas ações. Talvez esteja até disposto a iniciar o conflito. Talvez ele dê o pontapé inicial e, logo em seguida, peça um cessar-fogo”, prevê o especialista.
No caso de isso acontecer, tudo dependerá da reação da Coreia do Sul. E essa, segundo Cukier, é outra das estratégias usadas por Jong-Um. “Conforme a pressão cresce, os olhares saem dele e vão para os sul-coreanos. A preocupação passa a ser: como Seul vai responder”.
Fonte: Época Negócios. 
Coreia do Sul (Foto: Getty Images)

Postado Por: Daniel Mathias Chagas 11:29

Risco de guerra nuclear entre as Coreias cresce com ditador jovem, diz especialista

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Risco de guerra nuclear entre as Coreias cresce com ditador jovem, diz especialista

Do UOL, em São Paulo

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Tensão entre as Coreias245 fotos

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5.abr.2013 - Soldado sul-coreano fecha portão de área militar próxima de Paju e da área desmilitarizada entre a Coreia do Sul e Coreia do Norte. A Coreia do Norte deslocou dois mísseis de alcance intermediário para a costa leste do país, numa manobra que pode ameaçar o Japão e as bases dos Estados Unidos no Pacífico Leia mais Jung Yeon-Je/AFP
A atual tendência da Coreia do Sul de não aceitar provocações violentas da Coreia do Norte, a ascensão de um ditador jovem e inexperiente e o sucesso dos testes nucleares norte-coreanos são os fatores que deixam a atual crise entre as Coreias mais tensa do que nas vezes anteriores, na opinião do diretor do programa de não proliferação de armas no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, Mark Fitzpatrick, um dos principais especialistas sobre armas de destruição em massa no mundo.
Segundo o especialista, o primeiro fator de tensão é a mudança de postura do governo sul-coreano que está disposto a mostrar aos vizinhos do norte que não aceita mais nenhum tipo de provocação violenta. 
"O episódio de 2010 deu à Coreia do Norte a impressão de que eles podem provocar a Coreia do Sul sem que sofram nenhum tipo de penalidade", disse. 
Naquele ano, a Coreia do Norte bombardeou o navio sul-coreano Cheonan e a ilha de Yeonpyeong matando, no total, 50 pessoas. Na época, a reação branda da Coreia do Sul evitou uma guerra. No entanto, para Fitzpatrick, agora os sul-coreanos agiriam de maneira diferente.
"Um ataque simples com armas convencionais contra forças sul-coreanas levaria a uma resposta militar por parte da Coreia do Sul. Por sua vez, esta ação forçaria o aumento da escalada de agressões que, se não for parada, poderia resultar em uma guerra de grandes proporções com o uso de armas nucleares e químicas", afirmou Fitzpatrick ao UOL.
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Fotos mostram o cotidiano dos moradores da Coreia do Norte74 fotos

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Banda norte-coreana faz show de abertura em festival de arte de Pyongyang Reuters
Outro fator que agrava a crise é Kim Jong-un, o atual líder norte-coreano. Para Fitzpatrick, o ditador é muito novo e inexperiente. A idade do ditador é incerta, mas é estimada entre 28 e 30 anos.

QUEM É MARK FITZPATRICK

  • - diretor do programa de não proliferação de armas no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres
    - trabalhou por 26 anos no Departamento de Estado dos EUA
    - especialista em armas de destruição em massa
O arsenal nuclear norte-coreano também deixa a atual crise ainda mais tensa. A Coreia do Norte já efetuou três testes de bombas nucleares, em 2006, 2009 e 2012.
A cada teste realizado, o governo tem mais êxito. O último, feito em fevereiro de 2012, pode ter gerado uma explosão equivalente a até 15 kilotons, segundo alguns especialistas. A explosão da bomba atômica em Hiroshima, no Japão, durante a 2ª Guerra Mundial, gerou uma explosão equivalente a 16 kilotons.
Segundo Fitzpatrick, baseado na produção conhecida de plutônio na Coreia do Norte e nos testes realizados, é possível dizer que o país possui de quatro a dez bombas atômicas. No entanto, os norte-coreanos não possuem tecnologia suficiente para explodir uma dessas bombas nos Estados Unidos ou na Europa. 
Na verdade, não se sabe nem mesmo se um dos mil mísseis do país conseguiria transportar a bomba atômica, o que não significa que a Coreia do Norte não tenha outros meios de explodí-la. 

Veja vídeos sobre a tensão entre as Coreias - 42 vídeos 



Na opinião de Fitzpatrick, os norte-coreanos não conseguiriam nem ao menos atingir com um míssil a ilha norte-americana de Guam, no Pacífico. No entanto, suas armas chegam com facilidade ao Japão e a qualquer cidade sul-coreana. 
O pesquisador não acredita que os norte-coreanos estejam dispostos a explodir uma bomba atômica como provocação. No entanto, durante um conflito, se o regime de Pyongyang perceber que está perdendo, existe o risco de uso da arma.
"Seria suicídio se a Coreia do Norte resolvesse atacar nações mais poderosas. Porém, se os norte-coreanos perceberem que estão perdendo uma guerra ou se o regime notar que corre o risco de acabar, uma arma nuclear pode, sem dúvida, ser usada", afirmou. 
Outro risco é o do uso de armas químicas. Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, a Coreia do Norte tem o terceiro maior estoque mundial de armas químicas e não hesitaria em usá-las durante uma guerra. 
"Sabemos que eles possuem principalmente gás mostarda e sarin. O uso de ambos é fatal e os norte-coreanos têm treinamento suficiente para que a ameaça seja real", disse Fitzpatrick.
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Trajetória de Kim Jong-Un83 fotos

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18.abr.2013 - Manifestantes participam de protesto anti-Coreia do Norte no centro de Seul (Coreia do Sul). Cartaz exibido durante a manifestação mostra uma caricatura do líder norte-coreano Kim Jong-un Kin Cheung/AP

Postado Por: Daniel Mathias Chagas 11:28