Foi durante a cerimônia da morte de seu pai, Kim Jon-il, que Kim Jong-Un foi proclamado o novo “líder supremo” da Coreia do Norte. Na época, se sabia muito pouco sobre ele. E até hoje é assim. Sem ter nenhuma experiência militar ou política, o novo ditador assumiu o lugar de seu pai em dezembro de 2011. Hoje, aos 30 anos, faz ameaças sérias à vizinha Coreia do Sul, aos Estados Unidos e ao Japão. O que assusta, neste momento, é que a Coreia do Norte é um dos poucos países do mundo com tecnologia nuclear. Mas quais são as chances de uma guerra atômica realmente acontecer?
Para Heni Ozi Cukier, cientista político e mestre em resolução de conflitos internacionais, as possibilidades são reais. “As duas Coreias possuem o metro quadrado mais militarizado do mundo e são dois países com forças mobilizadas para a guerra”, diz ele. O especialista lembra: a guerra entre elas terminou, em 1953, com um armistício e não com um acordo de paz. “A máquina da guerra está pronta para entrar em ação e isso é frágil. Qualquer ataque, mesmo que muito pequeno, pode criar um conflito de grandes proporções. A escalada de violência pode ser muito rápida”.
Apesar dos alertas, Jong-Un, não deve parar com as provocações. Pelo menos não tão cedo. Segundo Cukier, elas fazem parte da estratégia do ditador para proteger seu regime. “Ele quer aumentar suas credenciais para fortalecer sua capacidade de dissuasão, desencorajando o inimigo. Ele sabe perderia uma guerra, que seria suicídio. Ele não é um líder irracional”.
No final de março, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou uma resolução que exigia que a Coreia do Norte interrompesse seu programa nuclear. Esta foi a quinta sanção imposta pela ONU ao país desde 2006. Desde então, o regime do ditador sofre cada vez mais ameaças. “É um pais fraco liderada por um regime ditatorial. Essa elite que está no poder quer sobreviver”, diz o especialista.
E é por meio de notícias sobre treinamento de cães, posicionamento de mísseis e fotos de seu exército em ação que a Coreia do Norte acredita que conseguirá amedrontar seus inimigos o suficiente para que não pensem em atacá-lo. De acordo com Cukier, no entanto, é preciso destacar que a mensagem do ditador não é a de que ganharia uma possível guerra. “O exército dele não tem força o suficiente para enfrentar a Coreia do Sul e os EUA. E Jong-Un sabe disso. O recado que ele está passando é o de que: ‘se eu afundar, eu afundo alguém junto comigo’. Principalmente porque, querendo ou não, ele tem poder nuclear”, diz Cukier.
No entanto, como o método é antigo, o Jong-Un precisa, de alguma maneira, ir mais longe toda vez que volta a fazer ameaças. “Ele está acrescentando pequenas ações. Talvez esteja até disposto a iniciar o conflito. Talvez ele dê o pontapé inicial e, logo em seguida, peça um cessar-fogo”, prevê o especialista.
No caso de isso acontecer, tudo dependerá da reação da Coreia do Sul. E essa, segundo Cukier, é outra das estratégias usadas por Jong-Um. “Conforme a pressão cresce, os olhares saem dele e vão para os sul-coreanos. A preocupação passa a ser: como Seul vai responder”.
Fonte: Época Negócios.
0 comentários :
Postar um comentário